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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vale do Caima - 1ª Volta de Inverno


Paolo Giacosa - K2BTT

Joaquim Pereira - K2BTT
Assim foi, no passado fim-de-semana, percorremos os trilhos ao redor do Vale do Caima!... naquilo que por nós foi apregoado como a primeira volta de Inverno!..


Paulo Tavares - K2BTT


Jorge Maltez - K2BTT
Bem sei que o Outono está a meio mas no passado sábado; o céu encoberto, os pingos de água que teimavam cair e o frio que se fazia sentir, levou-nos a ter especial cuidado com os abrigos corta-vento/chuva.

"O Caima ao nosso lado direito"
O nosso trajecto foi iniciado no alto de Macinhata da Seixa e por descida técnica levou-nos até ao vale do Caima... com o rio ao nosso lado direito rumamos em direcção a Ossela, tinhamos na margemesquerda do rio uma forte colina a subir que nos levaria ao estradão de montanha que une Nespreira de Cima a Janardo. Houve alguma dificuldade em encontrar o trilho mas à 3ª tentativa foi encontrado... Grande subida!...

Montada com 160mm
Chegados ao estradão... nem para a esquerda (Janardo) nem para a direita (nespreira) em frente foi o caminho... hehehe... agora sim a descida para por à prova as nossas máquinas 160mm de curso a bombar até à Junqueira... o trilho é excelente longo rápido e divertido.


Junqueira
A Junqueira é uma aldeia incrustada num fundo vale.. daqui o caminho só tem uma orientação...subir..subir.. por trilhos seguimos a direcção de Janardo... lá em cima já na estrada voltamos à direita e atingimos a zona dos lameiros de Dornelas... segui-se as quedas de água da Filveda..Bouças.. e nova forte descida até ao rio... sobe e desce até Telhadela... e agora?.. algumas dúvidas surgiram. A decisão foi rumar até Nespreira e tomar o estradão até ao cruzamento lá no alto... eram 18:00 a noite ameaçava.. via-se pouco e dessa forma a descida até Bustelo do Caima tornava-se perigosa.. a ajudar um furo... Esteve-se bem.. agora com o rio Caima do nosso lado esquerdo com as luzes bem acesas... da Mó até ao alto de Ferreiros... mais um pouco e atingimos o ponto de partida..o alto de Macinhata da Seixa.

"... não 'meije' ai senhor..."

Foram 50kms e 1650m de desnível acumulado.. os riders desta aventura foram:
Paulo Tavares, Jorge Maltez, Paolo Giacosa e Joaquim Pereira.

K2BTT
'Sempre a pedalar por um trilho diferente'

domingo, 1 de novembro de 2009

Memórias BTT - Marrocos Raid El Magrib 2005

Eis uma pequena mostra daquilo que foi em Agosto de 2005 uma Aventura em Marrocos... Decidido a fazer algo de diferente nesse ano!.. depois de algumas pesquisas na net decidi-me por esta aventura...

Rumo a Marrakech via Casablanca num vôo algo especial... um avião de motores de combustão... da era 'jurássica' ou próxima...

Num total de 9 dias, 7 dos quais a pedalar... cerca de 600kms de puro BTT com 9500m de acumulado. Os participantes da Aventura só os conheci no local:
Paco (Pontevedra-Espanha)
Domingo (Valência-Espanha)
Fernando (Madrid-Espanha)
Sérgio (Madrid-Espanha)
Miguel (Madrid-Espanha)
Angel (Madrid-Espanha)
Vicky (São José-Costa Rica)
Joaquim P(SMFeira-Portugal)

Iniciamos em Marrakech..atravessamos o Atlas até às portas do deserto do Shara em Zagora.. Sempre com o apoio do Moha-El Cabron e do Abdul...
Ficam as fotos...bem sei que são muitas mas enjoy!... não são nada más...hehehehe...


K2BTT
'Sempre a pedalar por um trilho diferente'

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Volta ao Parque Nacional PICOS da EUROPA

O desafio foi lançado pelo Vasco Sousa no início de Julho...” alinhas ir de Aveiro aos Picos da Europa em 5 etapas de bicicleta de estrada?”.. . desafio esse acompanhado por um esboço em papel manuscrito com o Plano de Viagem. Fiquei de pensar no assunto... 2 semanas depois respondi afirmativamente... mas só poderia alinhar em 3 dias de Bragança aos Picos
Afinada a data de partida para final de Agosto... por motivos vários o Plano de Viagem viria a ser alterado deixaria de ser uma ida ao Parque Nacional Picos da Europa para passar a ser uma Volta aos Parque Nacional Picos da Europa, em 3 dias, iniciada e acabada em Leon, Decisão que se mostrou ter sido a mais correcta tendo em conta, entre outros, as distâncias diárias a percorrer (140..160kms por dia).
Assim foi, no dia 28 Agosto iníciamos uma epopeia em bicicleta desta feita as montadas de BTT ficaram em casa e as sacrificadas foram as ‘binas’ de estrada.
Participantes:
Joaquim Pereira
Vasco Sousa


DIA1 - LÉON a POTES com passagem pelo puerto de San Glório (1609m)


Parque Nacional PICOS da EUROPA

Tendo em conta que passava uns dias em Lagarelhos, aldeia próxima de Vinhais, e que o Vasco também tem casa de família na aldeia da Moimenta (a 20kms de distância).. O Ponto de encontro foi na primeira, ás 8:00am partimos de carro em direcção Leon. Durante a viagem houve tempo para conversar e relembrar as etapas que tínhamos pela frente. Chegados a Leon e com o carro estacionado num local seguro, logo tratamos de preparar as nossas montadas para iniciar viagem!


JoaquimP-K2BTT

Iniciamos ás 13:00pm (hora Espanha) ..percorremos o centro da cidade em Direcção à N-621... muito movimento nas ‘calles’ e pessoal na esplanadas.. “o calor aperta”.. tá-se bem. Percorremos os 50kms até Bonar, tendo como pano de fundo a Cordilheira Cantábrica e os Picos da Europa.. sempre em direcção a Norte a altitude não variava muito...dos 850m aos 950m. Bonar é uma povoação no sopé da Cordilheira Cantábrica, a partir daqui parte-se para vários pontos das montanhas que estão ali já tão perto!... a nossa direcção era Riãno a 45kms desta feita a subida em altura era mais notória!... rapidamente atingimos os 1220m para logo descermos aos 900m um pouco a norte de Sabero. Estávamos de novo na N-621.. até Riãno sempre com a presença do vento contra nós...por vezes este soprava com alguma vontade e dificultava-nos a progressão no terreno!...


Vasco Sousa

Aos 85kms a subida à barragem que segura as águas da albufeira de Riãno... estávamos a 1200m de altitude.. o sol reflectido nas águas de cor turquesa da imensa albufeira... os picos da montanha estão aí espelhados... o resultado é fabuloso!... Apesar do nosso companheiro vento, progredimos bem no terreno, chegamos a Riãno e fizemos uma breve paragem para comer algo e apreciar a paisagem....


Albufeira em Riãno

A nossa próxima ‘meta’ seria o Puerto de San Glório (1609m). A estrada N-621 guia-nos pela direita pela margem da albufeira, seguimos até Llanaves de la Reina a 1250m altura a partir deste ponto entra-se nos Picos da Europa e o pendente da subida aumenta consideravelmente.. estamos a 4kms do alto e faltam cerca de 350m de subida “kids stuff”...Foi a partir daqui que tivemos uma desagradável surpresa...à medida que subíamos o nevoeiro adensava-se e a chuva começava a cair!... lá no alto infelizmente não se via nada. O Puerto de San Glório (1609m) fora atingido aos 132kms, restava-nos a descida de 23kms até Potes (300m)...durante a descida, para além de não se ver nada tivemos como handicap’s: a chuva que teimava cair com intensidade, o frio, a estrada que estava em reparação.... ‘cereja em cima do bolo’ um pneu/câmara da Bicicleta do Vasco furou seguido passados 2kms de outro furo, sendo que nesse momento as câmaras de ar disponíveis estavam todas furadas...


'Puerto de San Glório' - depois desta passagem foram 20 kms de frio e chuva até aos 400m

Estaríamos a 1300m de altura e tremíamos de frio....Brrrrr... valeu-nos uma câmara de ar com um furo lento que aguentava alguns kms.... ao mesmo tempo vestimos roupa seca que nos reconfortou.... prosseguiu-se a descida com muita calma.... aos 800m já pedalava-mos fora das nuvens...safa!... mais adiante paramos num bar para um ‘carajillo’ de licor de Baileys, que ajudou a aquecer. Faltavam uns 8kms para Potes, a descida de 23 kms não foi nada agradável mas a chegada a Potes era desejada!... foi um dia com 155kms e 1650m de subida.

No Hotel e depois de idas a banhos e roupa lavada e seca com secador de cabelo, fomos repor calorias!... o descanso era desejado...o dia seguinte não se saberia como seria: as nuvens estavam lá no alto e se teimassem em ficar a sorte não estaria do nosso lado!.. A ver vamos!..


O video do Dia 1 . clique para ver


DIA2 - POTES a CANGAS de ONIZ com ida a Fuente Dé (1090m)

Pela manhã estávamos na expectativa de ver como estava o tempo, as nuvens do dia anterior faziam-nos pensar o pior!.. mas nada como ver!.. janela aberta e podemos constatar que o céu estava nublado mas ali e acolá era visível a cor azul do céu!... haveria que esperar e ver!... Antes de nos lançarmos a caminho de Fuente Dé tínhamos um obstáculo a transpor, depois dos furos do dia anterior, teríamos que arranjar câmaras de ar!... não foi fácil posso dizer, mas adiante..certo é que numa primeira fase fomos a Fuente Dé com as nossas câmaras de ar remendadas com remendos não recomendados (remendos de BTT que não aguentam 8-10 bar de pressão)..foram cerca de 4 câmaras recuperadas que em 24 kms, distância entre Potes e Fuente Dé, foram à vida!...


A subir para Fuente Dé - 24kms desde Potes

A estrada até Fuente Dé é essencialmente a subir (300m aos 1090m) faz-se por um vale alargado de paisagem perfeitamente rural... cruzamos algumas aldeias/povoações.. por ali é possível ouvir o som das aves rapina que voam por ali..de quando em vez é possível observá-las ali bem perto!... Afinal o céu ficou azul e o sol a brilhar.. ao longe a montanha rochosa de cor prateada...lá no alto o Naranjo e Bulnes – tal como um dente espetado naquela massa de pedra... à medida que nos aproximava-mos do nosso destino a parede de Parede de Pedra ficava mais perto!..Chegados a Fuente Dé a paisagem é deslumbrante..estamos numa espécie de grande clareira ladeada em 180º por uma vertical parede de rocha... cá em baixo um extenso tapete verde com vacas, gado e cavalos a pastar... transmite paz aquele local!... para aceder ao alto aos 1600m, o famoso teleférico que em subida e descida quase vertical mergulha nas nuvens e leva trás as pessoas !..uma vez lá em cima os apaixonados do pedestrianismo lançam-se em caminhadas mais ou menos longas os outros limitam-se a apreciar a paisagem e registar todas as fotos que podem!...

Reparar câmaras - que tanto trabalho deram
Quanto a nós!..contemplamos a paisagem com a calma necessária, mas cá de baixo!... assim que demos por ela que deviríamos abalar assim o fizemos, mal arrancamos, pufff... mais uma câmara de ar ‘para o ‘tecto’, claro que sempre na ‘bina’ do Vasco...
Estávamos com problemas!... Só tínhamos mais uma e certo seria que ela rebentaria antes de chegarmos a Potes!...Decisão: eu deveria seguir a todo o gás para chegar o mais cedo possível a Potes ao encontro de alguém que connosco tinha combinado ás 13:00 para nos entregar câmaras de ar para pneus e estrada!... eram 12:48 e tinha 24kms pela frente sempre a descer é certo, lancei-me à estrada passados 26min (média 55kms/h) tinha chegado ao meu destino ainda a tempo de recolher as câmaras de ar, remendos e cola!..Foi de facto a dar o máximo!... Quanto ao Vasco, este ficara apeado em Fuente Dé, com a última câmara de ar a 'furar' pouco depois de ter sido substituída...hehehe... de dedo esticado este acabou por arranjar boleia para ele e para a ‘cabra’ até Potes.... esperava-o enquanto me deliciava com uma ‘cãna’ numa bela de uma esplanada ao mesmo tempo que me dedicava ao bricolage remendando umas câmaras de ar..

Fuente Dé (1090m) - a velha cabine
Rumo a Cangas de Oniz!...Em Potes tinhamos 50kms feitos e haveria que percorrer mais 90kms até ao nosso destino final!... Lá seguimos N-621 em direcção a Norte, 33kms até Llanes e depois mais 57kms até Cangas... A primeira parte do percurso foi basicamente percorrer o Desfiladeiro da Hermida sempre a descer até aos 50m de altura do nível do mar!....... o mais impressionante é o comprimento do desfiladeiro, a descida é suave feita numa estrada estreita a acompanhar o rio que serpenteia o rasgo aberto entre paredes altas de montanha rochosa... durante toda a descida que demorou cerca de 1 hora a ser percorrida..o vento contra nós é constante, as rajadas por vezes sopram forte e para progredir foi necessário carregar nos cranks com vontade– “kids stuff”.
Picos da Europa - Fuente Dé
Llanes alcançado, virou-se à esquerda tomamos a AS-114 em direcção a Cangas de Oniz!.. Ao nosso lado corre o rio Cares..local por excelência para a prática de canoagem rafting, e outros desportos de rio, do nosso lado esquerdo o Parque Nacional dos Picos da Europa e as suas montanhas rochosas... a estrada é ligeiramente a subir mas são precisos mais de 35kms para nos depararmos com uma subida ‘à séria’ “kids stuff”... até ao miradouro de Canales, onde fizemos uma paragem para observar todo o vale e montanhas....é impressionante!..
Cangas de Oniz
Estamos a pouco mais de 20kms de Cangas... é basicamente a descer até aos 150m ... a progressão nessa altura foi muito rápida..mesmo nas partes planas..rara a vez em que baixamos de 35km/h de velocidade instantânea. Chegados a Cangas por volta das 18:30... a nossa ideia inicial seria subir até aos Lagos de Covadonga... mas rapidamente chegamos à conclusão que o melhor seria ir até lá de autocarro!... Mais uma vez viemos a verificar que a decisão fora acertada!... mas o relato do dia seguinte o dirá!...
O video do Dia 2 . clique para ver

DIA3 - CANGAS de ONIZ a LÉON com ida aos Lagos Covadonga
Acordamos muito cedo!.. 7:30 ..tinha-mos decidido ir o mais cedo possível ao lagos de Covadonga de autocarro..os primeiros começavam a passar ás 9:00..Após o pequeno almoço lá fizemos caminho para a paragem!... 9:20 estávamos a subir... desde Soto de Canga até aos 1100m onde se situam os lagos!... impressionante subida com pendentes a ascender os 20%..seguidos de planos ou descidas para voltar a subir..quanto mais se subia mais era perceptível a dificuldade da subida!... os muretes sucessivos que ladeiam o lado de fora da estrada ao longe revelam o perfil da subida e dão a ideia que estamos a percorrer a ‘Muralha da China’... relativo à paisagem toda a descrição que possa aqui fazer ocultará a real beleza do espaço... tudo é lindíssimo, os lagos são apenas algo também de muito belo!... Aconselho que todos que por ali se passeiem que não faltem a este cenário!... por lá ficamos algum tempo.
A subida para os Lagos de Covadonga

Lá no alto a passeata junto aos lagos

Lagos de Covadonga
Tínhamos 165 kms para percorrer nesse dia.. e os iniciais 50 kms seriam ascender dos 150m de altura até aos 1280m no Puerto El Pontón.... e assim começamos a nossa jornada... tomamos a N-625 em Cangas de Oniz e iniciamos o percurso pelo desfiladeiro, sempre acompanhados pelas rochosas montanhas e pelo correr de um rio. Este desfiladeiro é bem mais estreito que o da Hermida e na minha opinião mais belo e austero!... Certo é que kms iam sendo percorridos e a cota em altura pouco aumentava, só a partir do 38km é que começamos a subir verdadeiramente faltavam por isso 12kms para atingir o ‘puerto’ e tinhamos 850m de desnível para vencer, estavamos perante uma pendente médio de 7% de subida..caso para dizer “kids stuff”
Vista sobre o vale desde o 'Puerto El Pontón'

No topo do 'Puerto El Pontón'
À medida que subiamos a vista sobre o vale era cada vez mais alargada, tinhamos deixado o desfiladeiro e estávamos agora com os horizontes mais alargados onde era visível os montes a juntarem-se em vales e estes vales a ´desaguarem’ noutros vales de maiores dimensões… a paisagem é por isso imensa preveligiados são cofourm estas vistas quem mora nas aldeias de Ribota, Oseja de Sajambre, Vierdes, Pio,… Chegado lá acima somos oferendados pela água fresquinha da ‘Fuente del infierno’, era disso que estavamos a precisar.
Contemplada a paisagem de seguida seria tempo de descida, sim descer até Riãno, e a sua albufeira, parando no entanto para almoçar em Vegacerneja… estavamos com vontade de comer e o repasto veio mesmo a calhar. Depois de tão delecioso almoço haviam cerca de 110kms a percorrer até ao nosso destino final!... kms esses que foram percorridos a bom ritmo em cerca de 4h (incluino paragens). O Final da etapa resultou em 165kms e 1700m de subida acumulada.Leon estava ali..tinhamos chegado e cumprido o nosso objectivo… tinham sido percorridos 460kms por paisagens magníficas em 3 bem passados dias a pedalar e passear!...

O video do Dia 1 . clique para ver

Restava regressar a casa de carro..Leon-Santa Maria da Feira/Aveiro..assim o fizemos tendo corrido tudo bem!...
Bem Haja
K2BTT
‘sempre a pedalar por um trilho diferente’

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Geo Raid São Pedro do Sul


O contacto com esta prova começou quando tive a oportunidade de entrar en contacto com o António Queiroz da Ciclonatur. A experiencia adquirida no Freita Outdoor por mão do OriEstarreja serviu de base para a troca e partilha de opiniões sobre as áreas e percursos ideias para este tipo de prova. Desde o inicio fiquei cativado por este evento e ao conhecer melhor a envolvente da prova tive de imediato vontade de participar.Juntamente com o Joaquim Pereira decidimos aceitar o desafio e assim nos inscrevemos como Bfour - K2BTT.


Primeira etapa – Sábado dia 25 de Abril

A primeira etapa era a mais longa e difícil. Com cerca de 110 km e 4000 metros de acumulados prevíamos passar muitas horas com a nossa companheira de duas rodas.



Após o arranque os primeiros km foram realizados a velocidade moderada. A orientação com o GPS não é difícil mas sendo a primeira vez levou alguns minutos a ficarmos com a percepção da distancia em função do caminho percorrido. Escusado será dizer que alguns enganos foram cometidos mas facilmente recuperados. Após rolarmos de S. P. do Sul até Sul começamos a subir em direcção ao São Macário. Por estradas e carreiros de fácil progressão passamos pela aldeia de Macieira. Durante o nosso andamento já passávamos equipas que tinham saído mais cedo devido à sua bonificação de idade. De facto foi uma constante até ao final. Após a saída de Macieira a subida até ao topo do São Macarío era feita por um estradão que serpenteava a encosta em direcção ao ponto mais alto. Conforme a organização alertou o frio fez-se sentir mas não acabou por ser problemático.



Já pertinho do topo passados 25 km já tínhamos registado mais de 1250 metros de acumulado. Desta distância até cerca do km 90 já era território conhecido o que nos levou a alguma contenção no andamento procurando uma óptima gestão da condição física.


A ligação até ao alto de Regoufe por estrada e levou-nos à passagem pelo portal do Inferno. Já perdia a conta das vezes que passei por este local mas a paisagem é de tal forma contagiante que parece que é sempre a primeira vez. Em baixo a aldeia da Pena.



A descida para Drave foi realizada com muito cuidado. Assim que saímos de estrada desde o Alto de Regoufe foi hora de por mãos aos travões. Na verdade além de muito íngreme a quantidade de pedra dificultava a progressão. “Saltando” de pedra em pedra fomos descendo até que encontramos a equipa Geapro com problemas.





Lá estava o Vasco com dificuldades e a quebra do “dropout” impediu-os de concluir a etapa. Sem duvida que um elemento fundamental é não ter problemas mecânicos. Já é difícil superar estes desafios e por vezes nas descida um abuso maior põe tudo a perder.





Após a subida desde Drave dirigimo-nos à Coelheira. Aqui tínhamos previsto a primeira paragem para abastecer água na fonte. Víamos outras equipas no café e a vontade de entrar existia mas não fazia parte do programa, refiro que a estratégia que definimos foi fundamental para manter o ritmo e só parávamos para água e o mínimo tempo possível. Assim e com mais cerca de 3 litros de água montamos no selim e seguimos caminho. Já esperava a passagem pela Fraguinha e o caminho escolhido foi mais uma vez com muita pedra e obrigava a desmontarmos… A descida do novo parque éolico para as minas Chãs voltou a maçar o corpo mas o ritmo imposto permitiu alcançar mais equipas. Trocava-mos algumas palavras e seguíamos. Chegados a Cabreiros sabia que tínhamos muitos km de estrada até ao Cando. Mais um ponto onde iríamos “atacar”. Com a ajuda do Quim seguimos a bom ritmo e começamos a aproximar da dura subida para o Cando (no cruzamento com a estrada nova). Víamos mais equipas e só pensávamos que era uma questão de minutos. Seguia na roda do Quim e rapidamente chegamos a paragem de autocarro no Cando mas “não tiramos bilhete”. Cruzamos com mais equipas com handicap surperior ao nosso e era uma motivação para nós. Já no planalto da Freita o andamento foi extremamente rápido e após cruzarmos Portela de Anta seguimos em direcção a Gestoso, Gestosinho, Abundância e Manhouce. Estas passagens voltariam a trazer muita pedra e o conhecimento do local ajudou a evitar locais perigosos. Estávamos bem fisicamente mas tb já sentíamos algum cansaço. Em Manhouce voltamos a para água. Encher o cantil e seguir pois mais dois atletas já seguiam em direcção a Campo de Anta.
A subida era progressiva e rolante e facilmente passamos a outra equipa que avistávamos. Até este ponto já deveríamos ter cerca de 85 km e 3500 metros de acumulado. Fizemos uma óptima gestão da alimentação e entre sandes e muita comida energético o corpo começou a ressentir-se do esforço. Estávamos ambos a ficar com fome mas eu repentinamente sentir fraquesa e por momentos até pensei que a prova fosse ir ficar por ali. Sem comida foi uma barra energética do Quim que me salvou. Ambos a pé e enquanto eu me deliciava com a barra o Quim empurrava as duas Bfour estradão acima. A equipa que tínhamos passado alcançou-nos e progrediu no terreno. Também ofereceram assistência (é sempre habitual esta camaradagem independentemente do factor competitivo). Dividimos ainda um gel e comecei-me a sentir muito melhor. Montamos e seguimos ligeiro durante uns minutos. O Quim incentivava e eu esperava recuperar rápido. Assim foi, passados 5 min já estávamos novamente em ritmo de cruzeiro (se não tivéssemos comia estava feito e levamos muita, mas uma barra nunca é demais). Antes do topo de Campo de Anta já tínhamos passado novamente a equipa com quem nos cruzamos e foi um esforço final. Sabíamos que a cerca de 1km iríamos começar a descer. E que grande descida em direcção a S. Pedro do Sul. Inicialmente em estrada atingimos velocidades acima dos 65 km/hora e estávamos com o ânimo em alta. Já comentávamos, falta pouco, agora é sempre a descer. O ritmo foi impressionante procurando gastar os últimos cartuchos. Faltavam 20 km e nestes fizemos média de 18 km/h. Com o Quim a puxar nas estradas que tínhamos pelo percurso alcançamos ainda mais duas equipas. A aproximação a S. P. Sul trazia uma anciedade enorme. Orientado-me pelo GPS já procurava encontrar locais familiares e rapidamente visualizamos a cidade e o acesso ao Hotel do Parque. Foi uma satisfação enorme cortar-mos a meta. Fantástico mesmo. Muita malta a assistir e a felicitar todos os atletas. Após estacionarmos as máquinas dirigimo-nos ao salão do secretariado. Sabia que um lanche reforçado no esperava. Estava esganado de fome mas foi surpreendido pelo que vi. Enquanto o Quim entregava o GPS para confirmação do nosso percurso já estava eu de volta de todo o manjar preparado pela Organização. Bom, estava de mais, com muita qualidade e quantidade enchemos a barriga até não dar mais. Achei este conceito muito interessante porque de facto estavam todos os atletas a comer e a partilharem as opiniões sobre a prova. Gerou-se um convívio entre todos. A nossa surpresa foi quando ao afixarem as classificações vimos a nossa equipa em 9º Lugar.Depois de preparar-mos a bike para o dia seguinte fomos ao jantar buffet no Hotel. Um grande manjar no salão do hotel juntamente com as duas equipas dos MulaRaider’s (S. Maria da Feira). Já se discutia estratégias para o dia seguinte e a rivalidade em jeito de brincadeira vinha ao de cima. O dia concluiu-se com um massagem de recuperação que ajudou imenso para o dia seguinte.

Segunda etapa – Sábado dia 25 de Abril

Acordamos cedo e descemos ao salão do hotel para o pequeno almoço. O evento já rolava e já tinham partido as primeiras equipas. Muitas ainda rumavam ao pequeno almoço e havia um frenesim no ar. Reforçamo-nos bem e definíamos estratégias para o dia. Tínhamos apenas 72 km e cerca de 2000 m de acumulado. O objectivo era ir a fundo. Ao sinal da partida ainda o corpo não tinha aquecido devidamente e já rolávamos a 30 km/hora. A parte inicial foi muita rápida e assim como passamos muitas equipas também fomos passado por algumas. A dupla João Marinho e José Silva foram os primeiros. Com um andamento muito forte facilmente se distanciaram de nós. Pareciam motas… Heheh. Iria dizer que ao avaliar o tempo final deles devem ter ido sempre a esse ritmo. Estávamos bem fisicamente e recuperados do dia anterior (a massagem de recuperação do dia anterior ajudou muito) por isso mantivemos um ritmo vivo. Parte do percurso incluía um longo singletrack de alguma dificuldade técnica. No dia anterior já a organização falou dele e que seria do agrado de todos. Assim foi, no meio da vegetação serpenteamos a encosta do monte por um carreiro estreito e com muitos altos e baixos.




A dificuldade do dia aproximava-se, a subida ao marco geodésico de Janus era dura mas felizmente o piso era bom. Deste modo e com insistência trepamos o monte rapidamente. Foi neste período que passamos muitas equipas e juntamo-nos a duas equipas com um ritmo muito semelhante. Foi um período de conversa principalmente com os GR ou não fosse o Quim um “comunicador nato” . Por vezes lá ia ele com outra equipa enquanto eu ficava ou pouco para trás. Fazer uma prova deste género com alguém mais forte leva e que se faça uma gestão controlada do esforço. Nesta matéria estivemos mt bem como equipa e o trabalho de conjunto permitiu gerir muito bem esta diferença.



Já ao chegarmos ao topo senti uma motivação acrescida. Estávamos com um andamento forte e a dificuldade tinha passado. Predominantemente a descer agora teríamos que rolar muito rápido e com atenção à navegação. Tomei a dianteira e lá fomos. Por vezes não era fácil a navegação pois independentemente da resposta rápida do GPS só em cima do acontecimento é que confirmávamos a alternativa correcta.


Nos cerca de 20 km finais tivemos alguns desvios do percurso. Facilmente os corrigíamos mas o relógio não parava e fomos penalizados um pouco por isso. Faz parte do desafio da prova e é este misto de btt com navegação que faz destas provas um espectáculo. Mais junto ao final varias equipas se reunião e progrediam em conjunto. Conseguimos distanciarmo-nos alguns metros e recordo-me bem de olhar para o GPS e de ver a velocidade a mais de 30 km/h no estradão que antecedia a meta.
Abrandamos junto à chegada e festejamos ao cortar a meta. Após o reforço alimentar as classificações colocava-nos no 12º lugar da etapa do 2ºdia. Os pequenos enganos colocavam-nos atrás poucos muitos de várias equipas. Independentemente disto o resultado foi muito bom. De salientar o 2º lugar da equipa Geapro que no dia anterior teve problemas mecânicos.Até a entrega de prémios vimos muito mais equipas chegar e já se falava no GeoRaid da Serra de Estrela. Tendo sida a primeira vez a fazer uma prova organizada pela Ciclonatur constatei o que bem se fala da capacidade de organização deste tipo de eventos. Parabéns por um evento fantástico. Mais info em http://www.geo-raid.com/


Conseguimos manter a 9ª posição da geral e aumentamos a motivação para a participação no GeoRaid da Serra de Estrela. Até lá muitos km de treino.BFOUR/K2BTT – Fernando Silva e Joaquim Pereira

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

3 Horas de Resistência BTT - Duas Igrejas/Penafiel

7 Dezembro 2008... Após fim-de-semana passado de intenso frio, seguiu-se uma semana onde choveu cupiosamente. Foram estas as condições climatéricas que antecederam as 3 Horas de Resistência em BTT em Duas Igrejas/Penafiel... Nesta manhã de Domingo ás 7:45am eu (JoaquimP) e o Paolo depois de colocar ás Binas no K2BTTcarMobile estávamos a caminho de PEnafiel... Continuava a chover, mantinhamos a esperança que com o aproximar do nosso destino que as condições climatéricas se alterassem... Tal não aconteceu.. chegamos a Duas Igrejas e o cenário matinha-se... Havia umas dezenas de loucos como nós abrigados nos carros ou a levar com a chuva nas costas enquanto preparava as montadas para o desafio que se aproximava.


Paolo Giacosa (BFOUR/K2BTT)


BFOUR Xc maX (K2BTTcarMobile em pano de fundo)




Joaquim Pereira (BFOUR/K2BTT) e BFOUR Xc maX



O cenário era estupendo!... Chuva, já falei dela..ok é uma constatação!.. mas e o resto?!!!..uma viragem à esquerda mesmo antes de uma grande galinheiro (sim galinheiro de galinhas, patos e perus) perdido no meio do nada surge o pelado do Grupo Desportivo Local.. uma infra-estrutura desportiva digna de reportagem na "Liga dos Últimos"... ao fundo a zona social e balneários... coroado pelo emblema do Clube.. O bar servia de secretariado... á janela as meninas do Staff iam entregando os dorsais e recebendo 12,5€ de confirmação de algumas inscrições.. nós os atletas abrigados no alpendre de lona/plástico improvisado ganhávamos coragem para atravessar o lamassal até aos carros...onde passaríamos à preparação das nossas montadas...


Dorsal 117 - Paolo Giacosa



Dorsal 116 - Joaquim Pereira




Aspecto Geral




Certo é que o pessoal não faltou à chamada e deveriam estar ali um 120 BTTistas... ou mais.. ás 9:40 (10 min depois da hora, OK) deu-se o tiro/foguete de início da prova... Como seria de esperar logo arrancam como foguetes uma série de atletas e eu a vê-los passar!..Por norma tenho um arranque rápido mas nada daquilo... la segui o meu caminho.. a 1ª volta era para reconhecer o terreno:

  • cerca de 7 kms
  • trajecto com nível técnico e físico alto.. essencialmente devido à presença da chuva/lama
  • a meio do trajecto uma subida longa que levava a que alguns atletas + fogosos nas descidas ficassem para trás
  • na zona da meta havia uma pista serpenteada marcada com alguns obstáculos..tinha a sua piada
  • 2 descidas em singletrack bastante enlameadas..tornavam-se um obstáculo de respeito


Victor Rodrigues (Liberty/BFOUR)


Francisco e Rui Alves (BTT Vale de Cambra)


Logo se começou a verificar que os atletas mais habituados a maratonas e travessias acabariam por passar os mais fogosos... Por isso o nome de "3 Horas de Resistência BTT..."

Lavagem das bikes..


De salientar que parte mecânica das bikes tb se mostrou ser um importante aliado ou não: travões a falhar, transmissões com avarias, deviadores e correntes partidas...



Molhados e enlameados '...mas tá-se bem...'






Francisco (BTT Vale de Cambra) ..nunca estiveste tão bem!




Rui Alves (BTT Vale de Cambra) ...bastante bem maquilhado!..




Classificações dos Bttistas do team BFOUR/K2BTT:


6ª Joaquim Pereira (BFOUR/K2BTT)...estás lindo!.. estás..



10º Paolo Giacosa (BFOUR/K2BTT)... no rescaldo do evento



O Victor Rodrigues (Liberty/BFOUR) com 7 voltas acabou em 1º lugar e foi o justo VENCEDOR


Victor Rodrigues (Liberty/BFOUR)... VENCEDOR




3 Horas de Resistência BTT - Pódio




"..K2BTT sempre a pedalar por um trilho diferente..."